Cantar e cantar e cantar na beleza de ser um eterno aprendiz

Um belo final enfadado de tarde, fui em direção a estação Praça do Relógio, pra pegar o metrô. - Essa época era ótimo, não tinha tantas estações construídas, ou seja, não chegava nem perto da lata de sardinha que é hoje. Eu adorava, porque em menos de 15 minutos eu já estava na estação 23, Ceilândia Sul, a da minha casa. - Pois bem, neste dia exclusivo, uma presença um tanto diferente se destacava no meio dos passageiros entediados.

Uma bela senhora, mais ou menos uns sessenta anos, veio caminhando, se aproximando da linha amarela. Em um determinado momento, ela começou a cantar sozinha em meio aquele silêncio estranho de metrô. Sua voz, bonita até, ecoava um pouco naquele ambiente. Parecia que através daquela música ela queria se libertar de alguma tristeza, porque ela sorria de uma forma indescritível, como quem dizia pra si mesmo e para todos os presentes "Tudo vai ficar bem minha gente, tudo vai dar certo".

A música, eu me lembro bem, clássico de música popular brasileira. Simplesmente um lema pra minha vida hoje em dia. Só o refrão já passa a mensagem:


Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz... Ah meu Deus!Eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e será! Mas isso não impede que eu repita. É bonita, é bonita e é bonita...
Gonzaguinha

Uma mulher ao meu lado então comentou: " Louca essa daí. Já é bem conhecida. Em todo lugar que ela vai, ela canta. Já encontrei com ela muitas vezes, deve ter alguma doença mental a coitada"

Eu só assenti com um gesto o que ela tinha falado e continuei observando a estrela do momento.

Se ela era doente, eu não sei. Penso que ela fazia aquilo como uma manifestação própria de levar algo bom às pessoas, ou até mesmo de expulsar pensamentos ruins de si mesma. Afinal, quem canta seus males espanta. A cantora  não parecia insana para mim, dava para ver que sabia o que estava fazendo. Depois desse dia ainda encontrei ela algumas vezes. Sempre com um gosto musical bem refinado! Uma gracinha.

Cantar foi uma forma de atrair coisas boas para vida que a anciã encontrou. Esse é um dos motivos porque canto, mesmo sem saber, mesmo desafinando. Me sinto feliz, desperta em mim um sentimento bom! Em vez de se incomodar as pessoas poderiam só acompanhar também não é mesmo?

 
Tem gente que recebe Deus quando canta, tem gente que canta procurando Deus. Eu sou assim, com a minha voz desafinada...  ...Eu sou assim, canto pra me mostrar de besta
Cazuza


Ser ou não ser, eis a questão

Will Hunting [Matt Damon] é um gênio, uma criatura com uma inteligência e raciocínio acima do normal. Consegue guardar livros e livros na cabeça e resolver contas de matemática que doutores da área se desdobram para desenvolver. Porém, é um jovem rebelde, tem várias passagens na polícia e em vez de usar seus dons para subir na vida, trabalha como faxineiro em uma das melhores universidades de Boston.

Após resolver um desafio de matemática em um quadro no corredor, é descoberto por um professor que quer porque quer incluí-lo em sua equipe. Acontece que estava metido em encrenca e se encontrava em julgamento para ser preso. Então, para que ele fosse liberado e se juntasse ao professor, foi feito um acordo: o menino poderia trabalhar na universidade, mas  teria de fazer terapia.

Como o jovem encrenqueiro não tinha opção, aceitou. Todavia, não era muito compreensivo quanto as terapias. Ele as dificultava, estudava sobre cada psicólogo antes das sessões e os ridicularizava, como se eles que devessem fazer terapia. Até chegar a vez de Sean Maguire [Robin Willians].

Como já tinha sido avisado sobre o temperamento de Will, começou adotando uma técnica própria de terapia. Todavia, já de primeira, o  jovem conseguiu atingir o psicólogo. Ao interpretar um quadro criado por Sean, mexeu com sentimentos guardados do analista. Logo, ao se exaltar, o doutor acabou expulsando seu paciente da sala.

Parecia mais uma briga ganha para o adolescente. Porém, o psicólogo resolveu continuar sua terapia. Na sessão seguinte, levou o menino para um lugar aberto e aí vem a cena que é simplesmente a melhor do filme. Vale a pena conferir este sermão:


Good Will Hunting, ou Gênio Indomável no título em português , é um filme de 1997 que carrega nas costas 2 Oscars e 1 Globo de Ouro. Para quem gosta de filmes de reflexão, eu aconselho.

Todos temos um pouco de Will Hunting no sangue. Aprendemos desde cedo a sermos levianos.

Passamos a vida estudando e aprendendo o  que nunca vimos ou vivemos. Nos acostumamos a comentar e falar sobre livros, pensamentos, experiências vividas por outras pessoas. Nos achamos especialistas após lermos uma obra sobre determinado assunto, a ponto de discutirmos nossas idéias com total veemência, demonstrando intelectualidade e conhecimento. Mas será que sabemos tanto assim?

Amyr Klink é um navegador brasileiro que já fez várias expedições pelo mundo a barco. Escreveu livros e documentários sobre suas viagens. Um trecho de sua obra  "Mar sem fim" da qual ele fez um documentário é simplesmente brilhante e expressa mais ou menos essa ideia.




"Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".
("Mar sem fim"- Amyr Klink)


Quais são suas verdadeiras experiências? O que você tem a contar sobre você mesmo?

Ser ou não ser, eis a questão.











É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê..

Se existe uma pessoa nostálgica, esta sou eu. Sinto uma forte necessidade de resgatar o passado, de tê-lo sempre documentado. Um exemplo forte disso são meus diários. Desde a quinta série eu escrevo em diários e de vez em quando gosto de dar uma lida neles. É incrível como consigo reviver na minha mente o estado em que eu me encontrava quando escrevi cada coisa. Eu os uso como reafirmadores de idéias e através desses cadernos eu vejo o quanto evoluí e o que consegui realizar na minha vida.  Até mesmo este blog me remete a fatos antigos.   

 Não é que eu viva de passado. Apenas gosto daquele sentimento bom despertado por meio das lembranças. Afinal, às vezes vivemos momentos difíceis que nos fazem esquecer de como chegamos até onde estamos. Através dessas memórias vejo minhas vitórias nas pequenas lutas, lembro do que realmente importa e me faz feliz. Os problemas atuais acabam parecendo mais fáceis de serem resolvidos.

Talvez eu esteja tocando nesta tecla em função da aproximação de meu vigésimo aniversário.  Eu sempre fico meio reflexiva perto dessas datas.  É o tipo de época que me pergunto: O que eu já fiz? Eu evoluí? Quem eu me tornei? O que se passou neste último ano? O que eu realmente aprendi? Valeu a pena até agora?

Graças a Deus só tenho a agradecer. 

Estou conseguindo caminhar sempre em direção a evolução.  Durante toda a minha vida conheci pessoas excepcionais que me acrescentaram idéias valiosas e muitas vezes me fizeram enxergar de outra perspectiva. Algumas se distanciaram, outras continuam ao meu lado e uma pouca parcela delas reaparece de repente.  Não importa, todas deixaram algum legado por menor que seja. 

Minha família também, passamos por poucas e boas, mas conseguimos nos levantar. Afinal, vão-se os anéis e ficam os dedos. Tudo tem dado muito certo.

No entanto, boa sonhadora que sou, não me sinto satisfeita. 
 
Sabe quando você deseja tanto alguma coisa e acaba idealizando-a? Pois é, o perigo disso é que nada é perfeito, nem seus sonhos, quem dirá a realização deles! De repente, eu consegui o que muito almejei, mas não era mágico como eu havia imaginado. Juro, quase desisti de tudo, por pouco não joguei tudo para o alto. Até o momento em que acordei.

Sonhar é importante, é o que nos engrandece.  Como diz a conhecida frase “O futuro de um homem é do tamanho de seus sonhos”. Eu sou a favor de correr atrás de um objetivo, por mais difícil que este pareça ser. Porém é necessário um equilíbrio, nem tudo acontece do jeito que você predestina em seus desejos. Se acontecer, mesmo que seja de outra forma, apenas aproveite a oportunidade e aprenda com ela.

                Minhas pequenas realizações são como um empurrão que me impulsiona a buscar sempre mais e a subir cada vez mais na escada da vida. E só sei que quero chegar lá na frente tendo motivos para rever minhas velhas fotos, diários, anotações, enfim, ver minha história e sorrir pensando o quanto evoluí e o que cada experiência acrescentou para que eu conseguisse alcançar uma posição boa na parte mais avançada da linha da vida.





"Fé é pisar no primeiro degrau, mesmo que você não veja a escada inteira."
Martin Luther King Jr